quinta-feira, 23 de novembro de 2006
Essa Gonçalo
sexta-feira, 17 de novembro de 2006
Chapiscando a porcelana
- Esse aqui é o meu famoso “Regalo cheiroso a lá escorrença” - enquanto depositava pequenos pedaços nos pratos, digno de um almoço especial e caro, completava em alto tom: - Sua coloração marrom vem de um ajuste entre bílis e células vermelhas mortas, porém em recém-nascidos, o material fecal é inicialmente amarelo e/ou esverdeado, após o meconium. Cada grama de fezes no adulto normal contém de dez elevado á decima primeira potência a dez elevado á décima segunda potência coesões formadoras de colônias por grama, quase o valor teórico máximo de bactérias por centímetro cúbico, significa naturalmente, que 90% ou mais do peso seco das fezes é composta por bactérias, cerca de 90% delas do gênero Bifidobacterium1.
Fui o último a receber minha porção espaçosa, sim, propositalmente, pois sabia que a última tinha provindo de Fernanda Del Falo, minha adorada, por quem me profiro muito e num brinde digno de aristocráticos, felicitamos por sobejar da guloseima, desprovida do requentamento de depois.
quarta-feira, 15 de novembro de 2006
Enério caficou
Vladimir, quem historiou da mente pujante
Há tempos não a via. Encontrávamos-nos em bromas esperançosas de uma tarde muito bem gelada, pois o gelo arrefecia nos momentos de necessidade quando não se precisa de homens acriançados para fazê-lo. Muito tarde, e enquanto o sol não confirmava o meu relógio, que havia parado talvez, ou melhor, devido aos movimentos recessivos enquanto bombeávamos no quarto, careceríamos voltar. Fernanda era amasiada com o leitão Segismundo, como ela mesma dizia, havia anos e enquanto se adornava nas vestes ao observar a janela do cômodo não pude deixar de indagá-la sobre as verdades de seu colo materno enrustido ainda em seu calor na minha orelha direita. Apenas sorriu como quem precípua uma vibratória lembrança cativa. Na verdade, estava eu muito adverso ali com ela. Observava o teto, fruída, enquanto eu notava uma minúscula mosca confortável em minha coxa direita, mexendo um pouco nos nervos, ela se desatou a ziguezaguear, fresca e levemente, movimentos de total simetria e absorção do espaço encontrado, um bailado pronto de escarnais, um ponto, e voltou a pousar matematicamente em minha coxa, onde eu, vencido pela beleza, não quis mais saber do espetáculo.
- Sabe? Nunca vi um pé de mostarda.
Fernanda era enquista em seus acabamentos, seu palato, sua fronte ranhosa. Excepcionalmente sorri com seu comentário quase rouco e não pensava em me vestir, talvez ainda, masturbasse ainda mais vendo Fernanda colocar a roupa. Virei meus olhos em direção a mosca, agora no prato de nosso lanche, e concentrado em sua cantoria telepática em dias frios como esse, depositei minhas artérias de molho. Por determinados segundos me entorpeci daquele som que aumentava progressivamente, retirei o caldo daquela bolsa tão pesada e desproporcional enquanto Fernanda saia sem se despedir e adormeci.
Quando acordei ainda pingos de suor no chão, abafadura e toda molhadela da cama, agora o trio que me acompanhava em meu solo ocioso de respaldo. Apenas vesti a calça e uma gilete frígida e a velha entrou. Perguntou sobre o copo e a minha coxa rasgada ao talho, já eu, não havia notado quanto sangue havia no colchão e muito menos a coloração combinada do amarelo com o rubro fosco, que abatia a vista nesse frio, numa tarde. A velha colocou-se de quatro, levantou as saias negras revelando uma bunda em forma de Y coalhado, desértico, mas ao mesmo tempo esperançoso. Enchi-me do mais profundo desejo por aquela senhora que lambia a ferida escondendo as pupilas no imo das pálpebras e comecei a dar tapas em suas bochechas rosadas, ora com a mão direita, ora com a mão esquerda. Os movimentos começaram a formar em minha cabeça numa câmera lenta, comecei a calcular força, precisão e ritmo. Quando cessei, meus pés estavam repletos da mais pura urina, aonde eu visualizava perfeitamente a janela por detrás e a velha cessou os gritos deitando-se no chão, rolando venturosa em sua própria imundice. Vesti-me e cordialmente, me despedi da governanta da pensão e saí a procurar Fernanda em meio a casa.
terça-feira, 14 de novembro de 2006
Amanda
Sempre nos encontramos com a vontade de matar alguém lentamente, bem ternamente. Pois, pensando eu em várias imagens, ainda não sabia como dar cabo a vida de Amanda, aquela que sorria todas as manhãs quando eu me encontrava disposto ou indisposto, cheirando vinagre, procurando o fim da cama, ao urinar todo dia de manhã levando um copinho para exame de rotina, de qualquer modo, deveria ser um jeito que orgulhasse Dona Alva. Agora em minhas mãos tal beldade se dispunha e para meu encanto, podia fazer a minha cabeça funcionar com desenvoltura e sagacidade usando clássicos sem beirar o banal, uma obra típica do classicismo francês em sândis, quadros de abelhas. No mais, preferi não pensar ao deixar alguns objetos preparados, talvez quatro, cinco que fosse, mas a soma algoz de uniões objetos-contextuais deveria porvir da busca de plenitude, certo que sentei Amanda nua em uma cadeira, confortavelmente, enquanto esperava ela acordar do clorofórmio, tratei de pôr o Réquiem de Domenico Cimarosa, pois a perfeição estaria em completar a minha obra quando a música acabasse. Fiz a escolha, cautelosamente e com muito carinho: Um martelo, óleo, um cano oco, pregos, álcool, fita, bola de tênis, uma furadeira, frigideira, arame farpado e colher. Ao que Amanda acordou em vã surpresa, dispus da colher de sopa em minha agora pasta especial e encaixei cuidadosamente em seu olho direito, tentando afundar enquanto ela gritava, mas a cartilagem era extremamente dura, vendo isso comecei a martelar a colher até que fincou inteira, num só movimento, e pude arrancar aquele caroço semi-despedaçado. Era hora da mordaça, não sem antes colocar cuidadosamente uma bola de tênis em sua boca, mas fiquei com medo que ela engasgasse com o sangue e aprontei uma fita com pequenos furos. Seus gritos agora eram abafados, não que precisasse, mas me fazia ter maior concentração. Enchi de álcool o olho arrancado e coloquei de volta na órbita. Contemplei um pouco a cena, liguei minha furadeira, no meu quarto haviam várias tomadas, e comecei a cutucar o umbigo devagarzinho, encostando, tirando, encostando mais forte, tirando, com muita plenitude, e iam soltando pequenos fiapos de carne que dançavam e pairavam pelo ar em um espetáculo peculiar. Cessei a furadeira quando percebi que estava indo longe demais e talvez cometesse óbito próximo, não era hora. Levantei suas pernas encharcadas de sangue, amarrei para cima, e peguei um cano oco enrolado com arame farpado introduzindo-o inteiro em seu cu. Deixei ali, desamarrei a mão esquerda e segurando dela com muita força, fritei numa frigideira até ficar com alguns pedaços com aspecto de um saboroso hambúrguer, onde comi uns nacos e enfiei alguns em seu nariz, depois disso, voltei ao cu, tirei o cano primeiro, segurando para não escapar o arame e depois puxei o arame com força e rapidez. Por fim, era vez do meu último elemento, já haviam passados os principais movimentos de Cimarosa e iniciava-se o Benedictus, peguei um martelo e comecei a pregar lentamente no nariz esquerdo e no direito, martelando ora um, ora outro. Ao chegar até a haste, percebi que ela desmaiara, mas continuava com leve pulsação. Descarreguei o vidro de álcool em seu corpo, agachei de joelhos e fiquei olhando fixo em seus olhos, um fechado, outro quase saltando da órbita, podendo jurar que vi, no meio do movimento final, o Communio (Lux aeterna), sua alma se esvair. Coloquei-me de quatro a apreciei o sabor de todo o sangue no chão, ao levantar, era tudo tão belo, tão lindo que quebrei a obra para satisfazer o ego maldito. Foi que deitei sobre seu corpo ainda quente, penetrei, e olhando fixamente ao único olho aberto, o depositado, gozei quase que instantaneamente sem fazer ao menos um movimento. Levantei, beijei sua testa e fui comunicar a Dona Alva que tudo havia sido demasiadamente perfeito.
segunda-feira, 13 de novembro de 2006
Quarta-feira
terça-feira, 24 de outubro de 2006
Meu Caro Ivan
2. Não era verão, não era inverno, era um dia qualquer.
3. Cada brisa levava ao grão mestre vento, cada cabelo soluçava uma dança no ar e na cabeça a certeza de que perdia a oportunidade do escarro. Sim. O escarro forte, de mentalidade escrófula, de caminhos abertos caída nos fluídos imateriais.
4. Enquanto caminhava, pensava que a estrada é reta, sempre. A estrada torta é a estrada errada. As visões das estradas contorcem as mentes... É sempre a estrada correta o caminho limpo.
5. Carregava um sentido no ombro esquerdo. Não desses sentidos fúteis, ou melhor, se fosse fútil já não o seria para ele o nada era inexistente. Se existe um nada, esse já não é nada.
6. Enquanto caminhava alguém gritou: "Abaixa". Uma peteca provinda do meio do parque acertou sua cabeça.
7. Desmaiou e ventura não era mais aquela inicial em que se encontrava... Estava solene, desperto em diversas viagens pessoais... Retomou a consciência aos poucos, como quem é vomitado do ventre de uma fêmea... Havia luz que se desfez aos poucos e aquela mesma luz já não era luminosa, era um rapaz que perguntava "Está bem, moço?”.
8. Levantou, chacoalhou o cachecol para retirar a poeira e disse: "Estou bem" Seguiu a caminhada e encontrou 4 ninhos de abelhas. O primeiro tinha um chifre e os outros 3 nenhum...
9. Observando aquilo percebeu que as visões começavam a encubar sua mente.
10. O trajeto ainda era estarrecido... Cheiro de fruta. Sim, havia muitas frutas naquele ambiente, umas de tão murchas, vazias, outras somente murchas, mas todas de tão singular beleza que ele parou e pela primeira vez abaixou na terra para beijar-lhe os pés. Estava selado o juramento.
11. A terra sujou-lhe a boca. Os dedos do pé se sujaram com a terra. A terra pegou o sal de sua boca que permaneceria ali, pelo tempo que fosse necessário, pois a andança devia continuar.
12. Chegou a um bairro, afastado da cidade por sinal, aos rumos do norte. Na porta da casa havia um garoto de uns cinco anos, desdentado e com bichas na barriga. O viajante estava cansado, queria dormir. "Amigo, fale com vovô" Nada respondeu, tocou a face do garoto e saiu, a terra tinha outro momento para fechar o acordo.
13. Caiu desmaiado debruçado sobre um esquilo. Esmagou o bicho sem perceber e adormeceu sobre seu sangue. Era quarta-feira e na noite havia um cheiro de morte que até as formigas respeitaram o sono do viajante. No ambiente os sons não cessavam por nenhum instante, alternando-se quando necessário.
14. Acordou e enxergou a mesma luz de outrora, mas desta vez era o sol. Perdeu a visão por alguns segundos, foi abraçado em forma de pancada por uma árvore. Vendo isso, alguns moradores o pegaram no braço e o levaram para um abrigo de indigentes local. O andarilho não era bem quisto ali.
15. Quando no início da sopa da pensão, tremeu-lhe o músculo esquerdo direito, voltou os membros para a mesma direção, embora estivesse semi-desmaiado. Não foi somente a palavra "bem vindo" que o despertou, mas a feição do idoso que em sua frente estava num esboço de quarenta e duas horas acordadas.
16. Seus supercílios caídos em intermináveis jornadas de trabalho, aprovado por si mesmo a paternidade da terra, parecia que a comunicação das ondas do ar era menos do que uma nova demagogia.
17. Não, era fato.
18. Pensando em vender seus bens-matéria e permanecer em alguma filosofia oriental, afastou logo a idéia olhando ao velho. Ele chorava? Estavas defecado? Que fim tinham aquelas mãos frouxas e tristes, levantada em missões pessoais?.
19. No intento de continuar a prática da derrota, ele viu o caos bastardo da desassistência.
20. O idoso pensou no rebote da desculpa e pediu ajuda ao novo habitante oferecendo três moedas de ouro raras. Aquele negou com ar de repúdio, apenas de sobre esbato.
21. Foi manejado que deveria deixar a habitação de manhã, o minoro o nortearia para a cidadela que deveria edificar a sua obra.
